A Umbanda vivencia o Evangelho de Jesus em sua essência através da manifestação do amor e da caridade prestada pela orientação dos Guias, Mentores e Protetores que recebem a irradiação dos Orixás. Encontramos no terreiro da verdadeira Umbanda entidades que trabalham com humildade, de forma serena, caritativa e gratuita; espíritos bondosos que não fazem distinção de raça, cor ou religião, e acolhem todos que buscam amparo e auxílio espiritual, conforto para dores, aflições e desequilíbrios das mais variadas ordens.

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domingo, 30 de março de 2014

A Prática Oficial da Umbanda


Da formação da Umbanda, historicamente comprovado, hoje só existe a abertura oficial do primeiro templo de Umbanda no Brasil, fundado por um médium conhecido por Zélio Fernandino de Moraes, na cidade de Niterói/RJ, em meados de 1910. Desse médium já ouvimos falar muito e infelizmente não o conhecemos. Ele foi um verdadeiro desbravador em nosso meio, já que teve a missão de fundar publicamente o primeiro templo oficial de Umbanda em nosso País, numa época em que qualquer culto que não fosse católico não era bem visto e era normalmente perseguido, inclusive pela polícia que invadia os locais de culto e levava presos todos os que ali se encontravam.  A Umbanda praticada por esse médium era espiritualista e essencialmente cristã, com origem na religião dos nossos índios, dos nossos irmãos africanos e no cristianismo.

Em meados de 1900, ainda vigoravam leis do tempo do Império que puniam abertamente as práticas de magia. Com a chegada dos escravos ao Brasil colonial (1530 – 1888), entre eles não vieram apenas os plebeus. Chegaram também ao Brasil reis, príncipes, sacerdotes e feiticeiros. Os escravos, por sua vez, revidavam o jugo da escravidão por meio da milenar e poderosíssima magia africana. Os colonizadores portugueses sabiam o que eram os despachos depositados nas matas e deles tinham muito medo, já que sabiam que os feitiços podiam matar. Por essa razão criaram leis que lhes dava o poder de matar ou queimar, nas fogueiras da inquisição católica, os escravos que praticassem os despachos. Por esse motivo, em meados de 1900, a polícia ainda invadia os locais que praticassem cultos de origem africana. A engenharia astral, por sua vez, tomou providencias para que essas leis fossem abolidas e que a prática livre das religiões viesse a ser soberana.

Os nossos irmãos africanos legaram à Umbanda o culto aos Orixás; os nossos índios legaram à Umbanda as bases e as práticas de nossos cultos e o espiritismo e as obras de Allan Kardec nos deram a compreensão sobre os fenômenos espirituais que ocorrem em nossos cultos.

A Umbanda, na realidade, tem sua formação no mundo astral e concretizou-se no mundo material no meio das senzalas, juntamente com outros cultos como o Candomblé, o Omoloko, o Catimbó, o Batuque no Rio Grande do Sul, o culto de Cambinda e outros.

A figura do Preto Velho no meio umbandista concretiza uma série de ensinamentos que deles recebemos e que a cada dia mais fortalece a Umbanda como religião. A origem deles são as senzalas, portanto, foi nas senzalas que a Umbanda nasceu. E com o passar do tempo assimilou uma série de ensinamentos (positivos) oriundos de outras religiões como o catolicismo, mas acima de tudo do Cristianismo, uma vez que o umbandista segue os ensinamentos contidos no Evangelho de Jesus Cristo, provado está pela imagem de Jesus Cristo em todos os templos de Umbanda.

Saravá Umbanda!



segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Uso de Ferramentas pelos Guias Espirituais




Muitos guias espirituais usam ferramentas para absorver energias condensadas, atrair ou projetar ondas vibratórias, descarregar os médiuns e os consulentes de energias negativas, etc.

Para muitos que desconhecem os fundamentos da Umbanda, para os que estão iniciando na religião ou mesmo para aqueles que estão apenas visitando um terreiro para tomar um passe, as ferramentas utilizadas pelos guias aparentam ser apenas adereços e símbolos para chamar a atenção e tornar o ritual cheio de pompas.

Mas tudo na Umbanda tem sua razão de ser e existir. Nada é por acaso.

Antes de explicar para que servem as ferramentas utilizadas pelos guias espirituais, vamos conhecer algumas:

· Pretos Velhos: cachimbo, bengala, rosário, terço, figa, crucifixo, lenço, xale, chapéu de palha, cigarro de palha, etc.

· Exu: tridente, corrente, marafo, charuto, cigarro, capa, cartola, guias de aço, etc.

· Pombo Gira: batom, cigarrilha, anéis, colares, saias, lenços, jóias, etc.

· Caboclos de Oxossi: penachos, cocares, arco e flecha, charuto, cuia, etc.

· Caboclos de Ogum: lança, espada, elmo, espada de São Jorge ou Ogum, etc.

· Caboclos de Xangô: oxé (machado de pedra de duas pontas), pedras, charuto, etc.

· Baiano: chapéu, cigarro de palha, badulaques, coco verde, facão, etc.

· Marinheiro: boné branco, copo com pinga, cigarro, cordas, etc.

· Boiadeiro: chicote, chapéu, cinto, lenço, etc.

· Cigano: baralho, lenço, incenso, pedras, jóias, almofadas, etc.

· Erês: brinquedos, bexigas, doces, bebidas, óculos coloridos, bonés, saias, etc.

Há outras linhas de trabalho nos terreiros, por isso enumeramos as mais conhecidas com apenas algumas ferramentas que cada uma delas utiliza, cada qual com sua devida utilidade não servindo apenas como mero adereço, como um batom, por exemplo.

Para que servem as ferramentas?

Algumas ferramentas como chapéus, cocares, capas, saias, etc., servem como proteção ao médium girante; outras como bengalas, tridentes, espadas, flechas, etc., servem como um meio para descarregar o médium ou o consulente; e há também as ferramentas como incenso, jóias, pedras, coco verde, doces, bebidas, etc., que servem para atrair e carregar o médium girante com energia positiva, ajudando no seu fortalecimento, equilibrando-o e acalmando-o.

Não há uma regra com relação à função de cada ferramenta, pois os guias utilizam a mesma ferramenta para diversos usos, dependendo de sua vontade e do objetivo que ele quer atingir, como por exemplo, a bengala do preto velho pode descarregar o médium, mas também pode servir como meio para atrair energia positiva e carregar o médium.

Como são utilizadas as ferramentas?

Cada guia espiritual utiliza a ferramenta de acordo com seu fundamento e axé e há variação no uso ou no tipo de ferramenta até mesmo entre guias de mesma linha - como a linha de caboclos Pena Branca, onde um caboclo pode utilizar um cocar e outro utilizar apenas uma cuia com água e mel. O médium girante também influencia na escolha da ferramenta, pois o seu corpo é um transmissor e receptor de energias, mas a facilidade por onde “entra e sai” energia do seu corpo (que pode ser através das mãos ou dos pés ou da cabeça ou do tronco, etc.) é o que ajuda o guia a definir qual ferramenta utilizar.

Para fazer o uso das ferramentas iremos descrever - com linguagem humana - como um (a) preto (a) velho (a) faz uso das mesmas:

I. Chapéu de palha, lenço, xale, etc.

a. Energia positiva: atrai bons fluídos e energia para a coroa do médium.

b. Energia negativa: protege a coroa do médium de vibrações negativas que estão no ambiente e ainda não foram processadas durante o ritual.
               
II. Cachimbo, cigarro de palha, cigarro, etc.

a. Energia positiva: o odor do fumo sendo queimado atrai bons fluídos ao médium e ajuda na concentração.

b. Energia negativa: queima os miasmas do corpo do médium e dos consulentes.

III. Rosário, terço, figa, crucifixo, guia de contas, etc.

a. Energia positiva: concentra energia positiva e fluído de essência divina para ser repassado ao médium ou aos consulentes. Também serve como meio para o médium se concentrar no trabalho do guia.

b. Energia negativa: concentra energia negativa que está no corpo do médium ou do consulente sendo descarregada quando a ferramenta é jogada ao chão ou quando ela quebra.

IV.    Bengala, espada de Ogum, lança de Ogum, galho de guiné, etc.

a. Energia positiva: concentra energia positiva e fluído de essência divina para ser repassado ao médium ou aos consulentes.

b. Energia negativa: concentra energia negativa que está no corpo do médium ou do consulente sendo descarregada quando a ferramenta é batida no chão.

V. Comidas e bebidas como café, bolo de fubá, mandioca, arroz, etc.

a. Energia positiva: concentra energia positiva e fluído de essência divina para ser repassado ao médium ou aos consulentes.

b. Energia negativa: concentra energia negativa que está no corpo do médium ou do consulente sendo descarregada quando descartado (cuspido) no “cuspidor”.

VI. Tapete de folhas, tapete de palha, chinelo de palha, etc.

a. Energia positiva: concentra energia positiva e fluído de essência divina localizado no congá para ser repassado ao médium ou aos consulentes.

b. Energia negativa: concentra energia negativa que está no corpo do médium ou do consulente sendo descarregada quando o guia bate os pés e ou as mãos contra a ferramenta ou contra o chão.

Para deixar bem claro, quem direciona o tipo de energia, positiva ou negativa, para a ferramenta é o guia espiritual, pois é ele que está visualizando o excesso ou a falta dessas energias, é ele que sabe como manipular essas energias, sem afetar o médium ou o consulente.

Mas quem é que define as ferramentas que os guias utilizarão nos trabalhos?

Os próprios guias!

Por mais “legais e belas” que achamos algumas ferramentas, e até gostaríamos de presentear nossos guias, somente os guias é que pedirão, ou não, as ferramentas. Somente os guias é que sabem quais as ferramentas que eles mesmos utilizam e se são ou não necessárias.

Há casos em que alguns terreiros proíbem o uso de ferramentas pelos guias, mas é claro que os guias sabem dessa “proibição” e por isso, manipulam as energias de outras maneiras, reforçando o direcionamento das energias para assentamentos ou para o altar, por exemplo.
           
E se o médium girante quiser presentear um guia espiritual com uma ferramenta? E se um consulente presentear o guia espiritual de um médium com uma ferramenta?

Quando decidimos presentear um guia espiritual que trabalha conosco, através do uso de nossa mediunidade, o melhor que se tem a fazer é perguntar para ele (ou pedir para que outra pessoa pergunte para o guia) se o presente será útil ou será uma coisa para atrapalhar. Acredite: se o guia precisar de uma ferramenta ele pedirá ao médium ou ao cambone do médium girante, e às vezes, o que chamamos de “intuição”, como num caso desses, pode ser apenas uma “vaidade” de nossa parte. Todo cuidado é pouco.

Se um consulente resolve presentear o guia espiritual devemos ter em consciência o seguinte caso: a consulta com o guia espiritual é gratuita, logo um presente pode caracterizar, indiretamente, como pagamento por um “serviço bem feito”. A vaidade do médium também pode ser exacerbada com este ato. O procedimento neste caso é: alertar para que os consulentes não ofereçam presentes aos guias espirituais, mas caso aconteça, o consulente deve oferecer o presente diretamente para o guia que saberá o que fazer com o presente.

E para finalizar este texto, uma dúvida de muitas pessoas é: uma guia de contas estourou durante a gira, isso foi descarrego?

Sim e não. Sim se o médium estava muito carregado negativamente e a única ferramenta que estava em seu poder era a guia de contas, daí, em decorrência do excesso de energia ela pode estourar. Porém não é sempre que uma guia de contas estoura em decorrência do excesso de energia. O médium constantemente molha a guia de contas em banhos de firmeza, amaci e até mesmo com o próprio suor. Alguns colocam as guias para energizar com a luz solar ou com a luz lunar. Esse processo de molhar e secar a guia por diversas vezes faz com que o fio de nylon da guia de contas não suporte tanta variação e quebre, e claro, como o médium só utiliza a guia de contas em dias de gira, é nesse momento que vai haver o “estouro” da mesma, e isso não é descarrego.

Salve a Racionalização da Umbanda!


Por: Newton Carlos Marcellino

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O Melhor Livro Sobre Umbanda: História da Umbanda - Uma Religião Brasileira - Autor: Alexandre Cumino


O tempo é muito limitante, mas quando lemos algo com real prazer, conseguimos horas, que passam céleres, para absorvermos e vivermos junto com as palavras grafadas de livros escritos com a alma.

Esse é um magnífico trabalho de revisão bibliográfica, onde o autor não se perde nenhuma só vez, não se distrai ao mostrar os dados históricos, e ao mesmo tempo denota-se a dedicação, a entrega, a obstinação em cumprir a missão, que ao nosso ver, foi atingida com êxito total.

Digo que foi um ato de entrega e disciplina, pelo rigor que emerge página a página, a começar mesmo pela dedicatória:


“Dedico este livro a todos os umbandistas que vão além do simples freqüentar ou praticar Umbanda, que estudam e se dedicam, de corpo, mente e espírito à Religião de Umbanda. A estes que afirmam de coração. Sou umbandista!”

Curiosamente, o que primeiramente atraiu fortemente foram os anexos, onde se iniciam pela história do Sr. Zélio de Moraes, aquela já conhecida por todos nós, acrescida do tempero de informações inéditas, segue com a verdadeira saga que foi a vida de Leal de Souza, depoimento de Pai Ronaldo Linhares, que conheceu pessoalmente o Sr. Zélio, e por aí vai… Permitam-me copiar um pequeno trecho de texto de Capitão Pessoa, texto esse até em então desconhecido por mim, chamado “O pastor da Umbanda”:


“…Foi ele (o caboclo das Sete Encruzilhadas), quem provocando uma guerra com os espíritos das trevas, diretamente interessados com a implantação dos trabalhos de magia negra, não vacilou um só momento em seguir o programa traçado e arrebanhando as suas ovelhas – verdadeiro Pastor de Umbanda- vai continuando a sua obra de propagação com as constantes inaugurações de Tendas, que filiadas ou não à Tenda N.S.da Piedade, são realmente suas, estão queiram ou não queiram os seus organizadores, debaixo de sua orientação espiritual.”

Não são ricas informações?

Mas, continuando, o anexo 7 traz um questionamento muito interessante. “O Espiritismo é uma religião?”. O que vocês acham ? Garanto que é muito interessante! E quando fala da conexão de Chico Xavier e a Umbanda. Chico! É um texto delicioso primoroso! Vamos relembrar um trecho que ali consta, do livro:


“Brasil, Pátria do Evangelho, Coração do Mundo”, psicografia do espírito Humberto de Campos, através de Chico, com prefácio de Emanuel: “ …A realidade é que, considerada ás vezes como excessivamente conservadora, pela inquietação do século, a respeitável e antiga instituição é, até hoje, a depositária e diretora de todas as atividades evangélicas da pátria do Cruzeiro. Todos os grupos doutrinários, ainda os que se lhe conservam infensos, ou indiferentes, estão ligados a ela por laços indissolúveis no mundo espiritual. Todos os espiritistas do país se lhe reúnem pelas mais sacrossantas afinidades sentimentais na obra comum, e os seus ascendentes têm ligações no plano invisível com as mais obscuras tendas de caridade, onde entidades humildes, de antigos africanos, procuram fazer o bem aos seus semelhantes.”

Para Chico, todo aquele que crê nas manifestações espíritas é espírita. E assim declarou: “…Pelo que estamos entendendo, os umbandistas crêem nas manifestações, logo são espíritas”. Como foi feliz, o nosso autor, nesse anexo sobre Chico!

No Anexo 9 temos um questionamento se a Umbanda foi fundada ou anunciada, e o autor relata que a mesma foi uma manifestação necessária, e ressalta que nenhuma outra entidade realizou o que o Caboclo Sete Encruzilhadas fez, pois foi feito com Ordem Superior, ocorreu desta forma um duplo assentamento, na Terra e no Astral, num texto muito bonito, simples e claro.

Vocês sabiam que Kimbanda é diferente de Quimbanda? Eu desconhecia o fato, e achei interessantíssimo o relato do anexo 10 a respeito.

Voltando ao texto principal, temos na introdução algo muito certo: a Umbanda é um organismo vivo e complexo, e é necessário ao ler livros como esse, esvaziar totalmente a xícara e lê-lo isento de pré-conceitos.

Muito bom, quando fala das origens da Umbanda, do Caboclo Sete Encruzilhadas que todos conhecemos e não cansamos de ler sua história, sobre o 1º Congresso de Espiritismo de Umbanda (em vários capítulos citado, estudado e colocado sob diversas luzes), e entre estes tópicos reescritos, outros que são de lavra rara, como trechos escritos da Revista Espírita de outubro de 1861, publicado por Allan Kardec, de seu dialogo com um antigo escravo africano chamado Pai Cesar. Outro parágrafo cita que os indígenas já conheciam um local chamado Aruanda, e como foi absorvida a palavra Jurema como um local no astral de onde provêm os Caboclos.

Ao expor sobre a Magia da Umbanda, que é matéria recorrente em todo o texto, o faz com elegância, evitando colocar os autores sobre o alvo de críticas, mesmo aqueles sabidamente mais polêmicos. A sobriedade é pautada, mesmo nos comentários sobre o grande amigo e companheiro Rubens Saraceni. Discreto sem ser formal em excesso, alimentando com combustíveis mágicos a leitura progressiva e constante. Não se pode deixar de pinçar uma primorosa frase de Rubens, sobre as diferentes formas de interpretar os mistérios de Deus, em todas as manifestações de Umbanda: “..A Umbanda possui esta flexibilidade; ela não impõe…. Ali está uma boa parte dos fundamentos da Umbanda, seu ritual é aberto ao aperfeiçoamento constante….E por que isso? Simples: tudo o que as granes religiões castram nos seus fiéis, o ritual umbandista incentiva nas pessoas que dele (o ritual) se aproximam...

E que peculiar diversidade nos traz de seu estudo sobre a origem da palavra Umbanda? Quantas e quantas explicações, sintetizadas, ao nosso ver humilde, de um magistral objetivo: “Manifestação do espírito para a caridade”.

E sobre a Umbanda-religião? Mais dezenas de páginas magníficas, laureadas pelo depoimento igualmente magnífico de Leonardo Cunha dos Santos, bisneto do Sr. Zélio de Moraes parafraseando-o: “Se um centro de Umbanda cobrar, coloque os dois pés para trás e saia correndo, isso não é Umbanda!”

Aprendemos ainda em outro capítulo que Emanuel Zespo seria o pseudônimo do Professor Paulo Menezes, filho de Leopoldo Betiol, umbandista das primeiras luzes, e escreveu “Codificação da Umbanda” um livro que já não é publicado, raro, exótico, informativo e altamente polêmico…Mas comentado aqui, de forma serena e disciplinada como tudo mais.

E podemos dizer, para que todos fiquem bem curiosos, que há uma riqueza de fotos raras, antigas e novas, um acervo que por si já é um presente, nem vou descrevê-las, para que fiquem com bastante vontade de vê-las!

E vamos lendo, fluindo através das páginas, e vemos um estudo criterioso, estatístico da dificuldade inicial da implantação da Umbanda, num Brasil que a perseguia, mas mesmo assim, floresceu. Depois, inexplicavelmente houve um declínio progressivo, onde predominava a literatura espírita ou esotérica e sobre a Umbanda só havia alguns poucos livros, não muito bem redigidos, com pontos, orações, receitas populares. Dos anos 90 em diante, alguns fatores determinaram o renascer da Umbanda, entre eles a nova literatura, que copiando exatamente Alexandre Cumino : “falando linguagem simples, sem perder a profundidade em seus conceitos, surgirá também em romances umbandistas”. A partir dos romances de Rubens Saraceni, Cumino ainda continua, o modelo foi copiado e difundido e daí foram se avolumando os novos adeptos.

Logo no início, citamos que há muitos dados sobre o Congresso de Espiritismo de Umbanda. Queremos ressaltar que neste livro também se encontram informações sobre o 2º e 3º Congresso, o que significa para nós umbandistas uma valiosíssima fonte de informações. Mas temos de deixar aqui algumas pérolas, como as declarações de Cavalcanti Bandeira, preocupado com a permanência e sobrevivência da Umbanda como religião sistematizada . Através das palavras de Bandeira, ele cita Lourenço Braga:


“Se a Umbanda fosse unificada, isto é, se todos trabalhassem nos mesmos dias, nas mesmas horas, da mesma forma, com o mesmo ritual, com os mesmos pontos riscados e com os mesmos pontos cantados, seriam os resultados de efeitos maravilhosos, seria uma sinfonia perfeita de vibrações harmoniosas, cujas conseqüências, para os filhos da terra, seriam surpreendentes e repletas de benefícios; devemos trabalhar para o progresso da Umbanda, mas de uma Umbanda como deve ser: isenta de materialidade, de ignorância, de atraso, de práticas condenadas pelo bom senso. Deve ser pura, elevada e evolucionista. Quanto se atinge um certo grau de progresso espiritual, não é admissível retroagir.”

Vamos apenas fazer uma ressalva própria, nada tem a ver com o estilo de Alexandre Cumino, que prima por ser apenas um historiador perfeito. Lourenço Braga escreveu inspiradamente, mas no entanto, quando delineou as Sete linhas por eles estudadas, já diferenciou-se de Leal de Souza (quem mais próximo estava do Caboclo das Sete Encruzilhadas e de Zélio), e inseriu a LINHA DO ORIENTE, enquanto eu também juntou em uma única linha a Linha de Santo com a Linha de Oxalá…, e colocou todos os Exus na Lei da Quimbanda. Porém, nada somos, em fomentar comentários menos bons ou contraditórios, e ficaremos neste tema por aqui.

Sobre Tancredo e Byron, da Umbanda Omolokô temos a oportunidade de ler transcritos seus, primorosos, como a lenda da origem da Pemba e seu uso mágico, e outras histórias contadas de forma leve e fácil entendimento.

Ainda sobre o recente aumento de adeptos à religião de Umbanda, Alexandre Cumino ainda cita reedições de Pai Ronaldo Linares, Diamantino Trindade, Wagner Veneziani Costa, Robson Pinheiro, Norberto Peixoto, Leni Saviski, Iassan Ayporê Pery, entre outros.

Voltando no tempo, mostra um capitulo somente com as pesquisas dos cientistas sociais ao longo dos anos, como Nina Rodrigues, Arthur Ramos, Roger Bastide, Cândido Procópio, Diana Brown, Renato Ortis e outros, com muitas páginas escritas com seus pensamentos.

Para finalizar estas palavras, que espero sejam benéficas ao autor, porque todo o livro, cada pagina dele, me fez bem, me fez pensar, gostaria de chamar atenção para a coragem demonstrada por Alexandre Cumino no término do livro, no capítulo chamado “Crítica de fora”, onde coloca o pensamento exato dos cientistas sociais, e inicia com uma crítica severa do espírito Ramatis no livro “Missão do Espiritismo”. Mas este mesmo Ramatis, psicografado na época por Hercílio Maes, que de certa forma é irreconhecível para quem hoje lê suas obras através de Norberto Peixoto, no meio da crítica ferrenha, eis que Cumino acha uma frase fenomenal, intensa e verdadeira, com a qual gostaria também de fechar este texto, antes desejando muita Luz e Paz a todos.


“Indubitavelmente, a Umbanda, como seita, ainda não passa de uma aspiração religiosa, mas buscando sinceramente uma forma de elevada representação no mundo. Não apresenta uma unidade doutrinária e ritualística conveniente, porque todo “terreiro” adota um modo particular de operar(…).

Apesar dessa aparência doutrinária heterogênea, existe uma estrutura básica e fundamental que sustenta a integridade da Umbanda, assim como um edifício sob a mais flagrante anarquia dos seus moradores mantém-se indestrutível pela garantia do arcabouço de aço!

Da mesma forma, o edifício da Umbanda, na Terra, continua indeformável em suas “linhas mestras””. (grifos nossos)


Por Alex de Oxóssi
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Ouça os Pontos de Linha de Esquerda da Umbanda

"Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar as suas más inclinações "

Allan Kardec

A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho. Caboclo Índio Tupinambá.

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Saravá

Estrela de Davi - Dois triângulos sobrepostos, reunidos formando um hexagrama simbolizam a harmonia entre os dois opostos. O resgate e a ascensão de todas as almas rumo à espiritualidade. Pois em verdade aquele que se encontra em grau mais alto possui um correspondente em grau mais baixo. Esta simbologia refere-se ainda, à não estaticidade da evolução, pois não existem dores e tampouco infernos eternos, uma vez que, se a evolução é infinita, aquele que se situa no ponto mais alto, ao evoluir, leva consigo todo sistema, sendo que o que está no grau mais baixo, por sintonia, também subirá. Saravá o Astral Maior!

SARAVÁ!
SA = Força, Senhor RA = Reinar, Movimento VÁ = Natureza, Energia.
Saravá significa então a força que movimenta a natureza. Saravá também pode significar "Salve" ou "Viva". Na Umbanda, Saravá também é utilizada como uma saudação possuindo o sentido de "Salve sua força!", da força de Deus e da natureza que estão dentro da pessoa, como no mantra indiano namastê, que significa: o Deus que tem dentro de mim, saúda o deus que tem dentro de você. Saravá!